O governo do Estado do Pará lançou, oficialmente, o programa Forma Pará, voltado à expansão do ensino superior no interior. A iniciativa é executada pela Secretaria Estadual de Ciência, Tecnologia e Educação Profissional e Tecnológica (Sectet) em parceria com a Universidade Federal do Pará (UFPA), Universidade Federal do Sul e Sudeste do Pará (UNIFESSPA), Universidade do Estado do Pará (UEPA) e catorze prefeituras. O processo seletivo para as primeiras 1 mil vagas ofertadas está em andamento e tem a gestão administrativa da FADESP.

A cerimônia de lançamento foi realizada no dia 20 deste mês, no teatro Waldemar Henrique, em Belém, reunindo os representantes de todos os parceiros. Foi o momento de assinar os convênios de cooperação para o apoio técnico e financeiro ao programa que se propõe a criar mil novas vagas a cada ano.

Os reitores das instituições parceiras observaram que a quantidade de vagas ofertadas pelas instituições ainda está aquém do necessário, devido a capacidade da infraestrutura existente. O último ENEM teve 256 mil inscritos, enquanto as universidades que assinaram o convênio ofertaram cerca de 17 mil vagas, exemplificou o reitor da UEPA, Rubens Cardoso.

Com a cooperação entre as instituições de ensino, a Sectet e as prefeituras, a expectativa é reduzir esse déficit e ao mesmo tempo facilitar o acesso aos moradores de municípios que, hoje, não dispõem de campus universitário. A prefeita de Mocajuba, Elieth Braga, destacou que a dificuldade de deslocamento para as cidades onde funcionam cursos é uma barreira ao acesso.

“Temos uma dívida histórica com milhares de jovens e adultos que buscaram a educação superior e não tiveram acesso porque residem em municípios onde não há universidade”, enfatizou o reitor da UFPA, Emmanuel Tourinho.

O reitor da UNIFESSPA, Maurílio Monteiro, acrescentou a possibilidade da formação também influir na realidade local, pois o conhecimento permitirá que os formandos interfiram positivamente nas suas cidades. “A cidade vai ter cinquenta acadêmicos. Redenção vai ter engenheiros que vão começar a interferir na construção da cidade”, pontuou.

Monteiro também aposta que, a médio e longo prazo, os cursos exigirão laboratórios e mais infraestrutura, expandindo, consequentemente, a rede de serviços nos municípios. Aposta, ainda, no fortalecimento do ensino superior, sobretudo diante dos cortes federais que, hoje, ameaçam as instituições.

Na mesma linha dos reitores, o titular da Sectet, Carlos Maneschy, reforçou a importância do programa diante da necessidade de se apoiar as universidades para que elas avancem e expandam suas atividades de ensino, pesquisa e extensão na expectativa de gerar conhecimento e cidadania. “É preciso compreender a força transformadora do conhecimento. É a educação que permite os avanços”, disse.

O diretor executivo da FADESP, professor Roberto Ferraz, destacou que, nesse contexto, a cooperação entre as instituições é fundamental. “A cooperação é super importante. Em um momento como esse de crise, onde está havendo, de modo geral, uma retração nos recursos da educação, é importante a estratégia do governo do Estado de viabilizar o acesso ao ensino superior”, comentou.