Motirõ FADESP debate cultura popular e ancestral

  • DATA DE PUBLICAÇÃO: 29/06/2026

Palestra com historiador Luiz Antônio Simas lotou o foyer nos Mercedários. Público destacou a importância do projeto

Nem a chuva afastou o público que lotou o Motirõ realizado na quinta-feira, 25, no foyer dos Mercedários, em Belém. À frente do evento, realizado pela Fundação de Amparo e Desenvolvimento da Pesquisa (FADESP) estava o professor Luiz Antônio Simas, que por mais de uma hora refletiu sobre a construção de sentidos coletivos de vida que combatem o projeto de aniquilação que foi historicamente imposto a diversos grupos sociais

Professor Luiz Antônio Simas

Com o tema “Territórios e Seres Encantados: Narrativas (Insubmissas) de Rua na Construção do Patrimônio Popular”, Simas conduziu uma conversa abordando os saberes produzidos a partir da cultura, ancestralidade, identidade e dos múltiplos modos de compreender o Brasil a partir de suas expressões populares. “Existe uma diferença entre diáspora e cultura diaspórica. A diáspora opera na lógica da desagregação, já a cultura diaspórica opera no sentido de reconstruir a vida como uma experiência coletiva. E aí está o grande sentido transgressor das culturas populares, porque são culturas que interagem com a contemporaneidade no sentido de construir modos coletivos de vida”, pontuou o historiador, escritor e educador popular.

O púbico enfatizou a necessidade de mais espaços de debates e temas como o da palestra. “A proposta do Motirõ já é uma transgressão muito importante e que vem em um momento em que é preciso reforçar a universidade como disparador da cultura do carnaval de rua de Belém que está muito fragilizado” afirmou o professor Miguel Santa Brígida. Ele ainda defendeu a necessidade do terceiro ano do programa com foco em escolas de samba. “É muito importante a fala do Simas, conectando toda essa cultura da pesquisa, do estudo do carnaval, da escola samba com a cultura paraense, como essa ideia de pertencimento de chão. Belém tem um chão cultural rico de fenômenos como Círio tem pertencimento de chão, como o Pavulagem tem pertencimento de chão. E a gente tem o pertencimento de chão nas escolas de samba enquanto essa cultura preta e brasileira, que no Brasil é riquíssimo e singular e em Belém também. E a gente não pode deixar descaracterizar a sua essência, então essa fala do Simas é fundamental para que possamos dar uma guinada nesse movimento” reforçou o professor.

Já a jornalista Márcia Lima comentou que palestra foi um convite para a reflexão sobre o que move e mantem a vida em sociedade. “Diante da mercantilização de tudo na nossa vida, a gente precisa parar um pouco e prestar atenção no que nos faz viver. Precisamos entender para além da cultura capitalista o que nos move e nos mantém vivos”, observou.

Motirõ – o nome do programa deriva de uma palavra de origem tupi-guarani associada ao trabalho coletivo e à construção em comunidade, ideia que orienta a iniciativa ao reunir pesquisadores, servidores, parceiros e convidados em torno de uma compreensão mais plural e sensível sobre a Amazônia.

Em seu segundo ano, o Motirõ se firma como um programa institucionalizado da Fadesp que amplia o diálogo da Fundação com a sociedade. “É uma fundação que não se envolve só com a parte econômica da universidade, mas que atua para o desenvolvimento de várias instituições e que se preocupa em pensar a cultura da Amazônia”, afirmou Gilmar Pereira, reitor da Universidade Federal do Pará (UFPA).

Da esquerda para a direita: Diretor Executivo da FADESP, Roberto Ferraz Barreto; professor Antonio Luiz Simas; e Diretor Adjunto da FADESP, Alcebíades Negrão Macêdo.

Roberto Ferraz, diretor executivo da Fadesp, falou da transição do Motirõ que foi criado no ano passado, por ocasião da COP 30, como um programa de letramento que abarcou diversos temas como cultura ancestral e popular, racismo climático e colonialidade justiça climática, entre outros e passou para o segundo ano. “Nós percebemos que não podíamos focar apenas na questão financeira dos projetos e novos negócios, era preciso ir além e pensar em como trabalhar melhor na Amazônia e para a Amazônia. O Motirõ traz debates que nos forma enquanto instituição, que são encampados pelo conhecimento produzido na universidade e que dialogam com sociedade. E que bom que conseguimos uma troca tão rica a ponto de pedirem já o ano III do Motirõ”, analisou Ferraz.

Texto: Flávia Ribeiro